Co.Labora 15 celebra dois anos com debates sobre o futuro do trabalho e da Justiça
anasiqueira
Sex, 06/11/2026 – 12:44
Co.Labora 15 celebra dois anos com debates sobre o futuro do trabalho e da Justiça
Conteúdo da Notícia
O Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região celebrou, nesta quinta-feira, 5/11, os dois anos do Laboratório de Inovação Co.Labora 15, com uma programação dedicada ao tema “Futuro do Trabalho e a Justiça do Futuro”. O encontro reuniu magistrados, servidores e convidados para debater o uso da inteligência artificial, as transformações nas relações de trabalho e a construção colaborativa de soluções para os desafios institucionais.
Na abertura, a presidente do TRT-15, desembargadora Ana Paula Pellegrina Lockmann, ressaltou os avanços do laboratório e sua contribuição para o aperfeiçoamento da prestação jurisdicional. Mencionou iniciativas coordenadas pelo Co.Labora 15 como o Precatório à Vista, voltado ao aprimoramento dos serviços relacionados a precatórios, e o Decisão Cidadã, que utiliza inteligência artificial para facilitar a compreensão das decisões judiciais. Também destacou o Projeto IARA, desenvolvido em parceria com o TRT da 2ª Região, e a conquista, pelo segundo ano consecutivo, do Selo Linguagem Simples do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Ao agradecer à equipe do laboratório, especialmente à juíza auxiliar da Presidência Daniela Macia Ferraz Giannini, coordenadora-geral do Co.Labora 15, e ao juiz Marcel Marques, vice-coordenador, a presidente fez uma analogia com as etapas do desenvolvimento de uma criança para destacar a continuidade do projeto entre as administrações. Segundo ela, o Co.Labora 15 foi concebido durante a administração do desembargador Samuel Hugo Lima, chegou à sua gestão ainda engatinhando e, após dois anos de avanços, já caminha com segurança. A expectativa é que, sob a presidência do desembargador Edmundo Fraga Lopes, eleito para o biênio 2027-2028, o laboratório continue amadurecendo e possa correr.
A juíza Daniela Giannini enfatizou o caráter coletivo da inovação e o envolvimento de magistrados e servidores na construção de soluções para os desafios institucionais. Ela agradeceu à equipe do laboratório, às coordenadoras das ações de Linguagem Simples e aos laboratoristas que participam voluntariamente das iniciativas. Em referência a Campinas, conhecida como a cidade das andorinhas, resumiu o espírito de colaboração que orienta o Co.Labora 15, cujo símbolo são as em círculo. “Uma andorinha só não faz inovação”, afirmou, destacando a importância de oferecer espaços para que as pessoas possam criar, experimentar e desenvolver soluções, transformando ideias em projetos concretos.
Cápsula do tempo: uma mensagem para 2040
Inspirado no filme “De Volta para o Futuro”, o evento foi marcado pelo lançamento de uma cápsula do tempo, convidando os participantes a registrar suas expectativas sobre o futuro, sobre como estará a sociedade, o mundo do trabalho e a própria Justiça do Trabalho em 2040, respondendo a três questões: quais eram seus sonhos para o tribunal; o que vocês desejavam transformar e o que esperavam que nunca mudasse). A iniciativa contou com a participação dos desembargadores Gisela Rodrigues Magalhães de Araújo e Moraes (presidente do biênio 2018-2020), Samuel Hugo Lima (presidente do biênio 2022-2024) e Edison dos Santos Pelegrini (vice-corregedor e corregedor regional eleito para o biênio 2027-2028), em um momento simbólico de reflexão sobre o legado institucional e as transformações que poderão marcar os próximos anos.
Inteligência artificial e atividade jurisdicional
A primeira palestra da manhã, “O Algoritmo e a Toga: Questões técnicas sobre o uso da IA na atividade jurisdicional”, foi apresentada pela presidente Ana Paula Lockmann e conduzida pelo juiz do trabalho Ney Stany Morais Maranhão, do TRT da 8ª Região (PA/AP). Pós-doutor em Direito pela Universidade de Coimbra, doutor em Direito do Trabalho pela Universidade de São Paulo (USP) e professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), o magistrado abordou as transformações promovidas pela tecnologia nas rotinas do Judiciário, desde a substituição dos processos físicos até o uso da inteligência artificial na elaboração de minutas, análise de documentos e estudos jurídicos. Também ressaltou a importância da supervisão humana e da validação das informações, além dos riscos de sobrecarga decorrentes da aceleração tecnológica.
Ao defender que a tecnologia deve ampliar as capacidades humanas, sem comprometer a responsabilidade e a reflexão crítica, Ney Maranhão chamou a atenção para a necessidade de preservar a sensibilidade nas relações de trabalho. “Talvez o nosso grande problema não seja o excesso de tecnologia. Seja, na verdade, o perigo da escassez de humanidade”, concluiu.
Desafios e oportunidades para o futuro do trabalho
Na sequência, a professora e advogada Thaissa Rocha Proni apresentou a palestra “Construindo uma Visão Antecipatória: Projeções e Desafios para o Trabalho do Amanhã”, com apresentação do desembargador Edmundo Fraga Lopes. Doutora em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mestre em Direito do Trabalho pela USP e com pós-doutorado em Ciência Política pela Unicamp, a expositora concentrou sua abordagem em três desafios e oportunidades para o futuro do trabalho: a consolidação dos modelos híbrido e remoto, associados à sustentabilidade e à redução das emissões de carbono; o potencial da inteligência artificial para substituir atividades perigosas, insalubres e repetitivas, ampliando as possibilidades de atuação criativa dos trabalhadores; e o avanço das regulamentações sobre a proteção dos direitos humanos nas cadeias globais de produção.
A programação da manhã foi encerrada com uma comemoração interativa e apresentação de um conjunto musical de samba, em um momento de confraternização entre os participantes.
Oficinas colaborativas
A programação da tarde, intitulada “Ideias em Ação”, teve início com a atividade “De Volta do Futuro”, conduzida pelas laboratoristas Ana Sylvia Fernandes, Fernanda Amabile, Isabela Tofano, Karine Vaz, Lara Jorge e Priscila Lara Rodrigues, com apresentação de Marcel Marques. Na sequência, foram realizadas quatro oficinas temáticas: “E o tempo levou? Entre o tempo de trabalho e o tempo livre, o futuro que queremos construir”, conduzida por Daniela Giannini, com apoio de Ana Paula Miskulin e Giovanna Mambretti; “Construindo um futuro sustentável”, com Sofia Dutra e apoio de Fernanda Amabile; “Recalculando a rota: como proteger o trabalhador na era dos apps?”, com Isabela Tofano e apoio de Priscila Lara de Freitas Matsumoto Rodrigues; e “Qualidade de vida e saúde mental no trabalho: cuidar do presente e construir o futuro”, conduzida por Karine Vaz, com apoio de Karine da Justa e Viviane Sardin.